Na gestão de fretes, poucos números dizem tanto sobre a saúde da operação quanto o OTIF. Ele resume, em um único indicador, se a sua mercadoria chegou no prazo e do jeito certo — e é justamente o tipo de métrica que separa o embarcador que vive apagando incêndio daquele que enxerga a operação com antecedência. Se a sua empresa ainda mede entrega apenas por “chegou ou não chegou”, este artigo é para você.
O que é OTIF?
OTIF é a sigla para On Time, In Full — “no prazo e completo”, em tradução livre. É o indicador que mede o percentual de entregas que cumpriram, ao mesmo tempo, duas condições:
- On Time (no prazo): a entrega aconteceu dentro da data combinada.
- In Full (completo): a entrega chegou com a quantidade e as condições corretas, sem faltas, avarias ou divergências.
A régua é exigente de propósito. Uma entrega que chega no prazo, mas com itens faltando, não conta como OTIF. E uma entrega completa, porém atrasada, também não. Só entra na conta o que acertou nas duas pontas — e é por isso que o OTIF é um retrato tão honesto do nível de serviço.
Como calcular o OTIF
A fórmula é direta:
OTIF (%) = (Entregas no prazo e completas ÷ Total de entregas) × 100
Por exemplo: de 1.000 entregas no mês, 870 chegaram no prazo e completas. O seu OTIF é de 87%.
Dois cuidados evitam que o número engane:
- Defina “no prazo” com clareza. É a data prometida ao cliente, a data acordada com a transportadora ou a janela de recebimento? Misturar critérios distorce o indicador sem motivo real.
- Não exclua as entregas sem prazo cadastrado. Tirá-las da conta esconde parte da operação e cria um OTIF artificialmente alto.
Por que o OTIF importa para o embarcador
Mais do que uma métrica de transporte, o OTIF impacta diretamente o negócio:
- Nível de serviço: entrega no prazo e completa é o que o seu cliente final realmente percebe.
- Custo: cada falha gera reentrega, retrabalho, multas e, muitas vezes, a perda do pedido.
- Poder de negociação: com o OTIF medido por transportadora, a conversa passa a ser baseada em dado, não em achismo.
- Previsibilidade: a tendência do indicador antecipa problemas antes que eles virem reclamação.
O que costuma derrubar o seu OTIF
- Falta de visibilidade da entrega em tempo real.
- Ocorrências registradas sem causa-raiz — você sabe que atrasou, mas não por quê.
- Prazos cadastrados de forma inconsistente na origem.
- Transportadoras sem acompanhamento por indicador.
- Informação espalhada entre planilhas, e-mails e telefonemas.
Como melhorar o OTIF
Evoluir o indicador é menos sobre cobrar a transportadora depois do problema e mais sobre estruturar a operação:
- Monitore a entrega em tempo real, para agir durante o transporte e não apenas no fechamento do mês.
- Trate ocorrência como dado: registre a causa-raiz e use o histórico para atacar o que mais pesa.
- Padronize prazos e regras logo na origem do pedido.
- Cobre as transportadoras por indicador, com histórico e metas claras.
- Centralize tudo em um TMS, em vez de reconstruir a verdade a partir de planilhas.
Vale lembrar que medir bem o frete é um conjunto: o OTIF anda lado a lado com a auditoria de frete e com uma boa estratégia de gestão e terceirização de fretes — frentes que se reforçam.
Conclusão
O OTIF não serve para apontar culpados depois que a entrega deu errado. Ele existe para você enxergar antes — e transformar nível de serviço em vantagem competitiva. O primeiro passo é simples: pare de medir entrega no “achômetro” e comece a acompanhar o indicador com dados confiáveis.
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