Abra qualquer CT-e e olhe a composição do frete. Entre o frete-peso e o pedágio, quase sempre aparecem duas linhas que somam um valor relevante e que poucos embarcadores realmente conferem: o GRIS e o Ad Valorem.
As duas têm uma característica em comum: são cobradas como percentual sobre o valor da mercadoria. Ou seja, quanto mais cara a carga, mais elas pesam. Em uma operação de produtos de alto valor agregado, GRIS e Ad Valorem podem representar uma fatia que ninguém negociou com atenção.
O que é o GRIS
GRIS é a sigla para Gerenciamento de Risco. É o custo que a transportadora tem para proteger a carga durante o transporte: rastreamento, monitoramento, escolta quando necessário, tecnologia antifurto e a estrutura de gestão por trás disso. Na prática, esse custo é repassado como um percentual sobre o valor da nota fiscal, normalmente com um valor mínimo por embarque. O percentual varia conforme o risco da rota, o tipo de produto e o histórico de sinistro.
O que é o Ad Valorem
Ad Valorem significa, em latim, “conforme o valor”. É uma taxa cobrada sobre o valor declarado da carga, para cobrir o risco de perda, roubo ou avaria. Funciona como uma forma de seguro embutida no frete. Assim como o GRIS, é um percentual sobre o valor da mercadoria. E aqui mora a primeira confusão: as duas são coisas diferentes, mas partem da mesma base de cálculo e do mesmo gatilho, o valor da carga. É comum o embarcador pagar ambas sem entender onde uma termina e a outra começa.
Quatro pontos para conferir
Como as duas taxas dependem do valor da nota, qualquer detalhe na cobrança vira dinheiro. Vale conferir quatro pontos:
- O percentual bate com o que foi negociado? A tabela diz 0,30% e o CT-e às vezes vem com 0,40%. Em cargas de alto valor, essa diferença não é pequena.
- A base de cálculo está certa? A taxa deveria incidir sobre o valor da mercadoria, não sobre uma base maior.
- Não há dupla cobrança de risco? GRIS, Ad Valorem e ainda um seguro à parte podem estar cobrindo a mesma coisa.
- O valor mínimo do GRIS está sendo aplicado certo? Ele não deveria entrar fora de hora nem em duplicidade em cargas fracionadas.
Onde entra a auditoria de frete
O problema não é a existência dessas taxas. GRIS e Ad Valorem cobrem custos reais e fazem parte da conta do frete. O problema é que elas se escondem no meio da composição do CT-e, com percentuais pequenos que parecem inofensivos. Multiplicados pelo valor da carga e pelo volume de embarques do mês, viram um número que ninguém olhou de perto. Conferir isso manualmente, CT-e por CT-e, comparando cada percentual e cada base com a tabela negociada, é inviável em escala.
No Hub do Everlog, cada CT-e é comparado com a tabela de frete cadastrada para aquela transportadora. Quando o GRIS ou o Ad Valorem chega com percentual ou base diferente do combinado, a divergência aparece, com o valor esperado e o valor cobrado lado a lado. Hoje, esse tipo de conferência ganha escala com inteligência artificial na auditoria: não é mágica e não substitui a negociação, é a conferência que você faria na mão, feita em cima de todos os documentos, sem depender de alguém lembrar de olhar. Saber o que é GRIS e o que é Ad Valorem é o primeiro passo. O segundo é parar de pagar essas duas linhas no automático.
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